Esta ideia surgiu de uma cena que vivenciei na semana passada. Não é um tema inédito, visto que já abordei, em outros artigos, a temática do idoso que mora sozinho.
Cheguei ao hall de entrada de um edifício comercial e me chamou a atenção a presença de uma idosa, sozinha, vestida com roupas um tanto estranhas, que perguntava, ansiosamente, ao porteiro, em qual andar se localizava a clínica de determinado médico. O porteiro respondeu à pergunta e pediu que a mesma se direcionasse ao elevador. Mostrando-se um tanto ansiosa, a idosa apertou incessantemente o botão para “chamar” o elevador, andando de um lado para o outro enquanto o equipamento não abria suas portas. Quando um dos elevadores chegou, ela entrou rapidamente no mesmo, porém viu que o ascensorista havia saído e começou a gritar que não andava sozinha no elevador. O ascensorista avisou que iria conduzir o equipamento e a mesma entrou na máquina. As pessoas que entraram no elevador (inclusive eu) começaram a olhar para a senhora, muito agitada, falando sem parar, chamando o ascensorista, pois estava com pressa.
Logo que o funcionário tomou seu posto, a idosa perguntou em qual andar era o consultório do médico com quem ela iria consultar e o mesmo respondeu prontamente. Sem deixar os outros passageiros solicitarem seu andar, a mesma falava incessantemente para o ascensorista não se esquecer de marcar o andar que ela iria descer. Em poucos segundos, quando o elevador começou a subir, ela pediu novamente para que o funcionário a avisasse quando chegasse o andar pedido por ela, pois a mesma já não se lembrava qual era.
Assim que a senhora chegou ao seu destino, as pessoas que estavam no elevador começaram a comentar sobre a visível incapacidade da mesma de realizar suas atividades fora de casa sem o acompanhamento de outra pessoa. O ascensorista comentou que já a conhece, pois ela vai ao prédio com frequência e que na semana anterior ele a salvou de um atropelamento em frente ao prédio.
Situações como estas, tão tristes, porém tão comuns, nos levam a refletir sobre as dificuldades enfrentadas por um idoso que precisa sair sozinho para resolver suas pendências na rua. Seguem algumas considerações:
A forma como a idosa se vestia parecia indicar que a mesma não tinha a supervisão de outras pessoas em casa. Num dia frio, a mesma usava blusa de tecido fino, saia, sandália e um gorro, os quais eram bastante inapropriados para o clima. Mesmo assim ela parecia não discriminar a temperatura ambiente.
A mesma apresentava sinais de demência: esquecimentos frequentes (o andar onde fica o consultório de seu médico), desorientação, ansiedade, irritabilidade, constante deambulação. Observem como estes sintomas podem ser suficientes para que a mesma se perca ou seja vítima de um acidente de trânsito.
Aparentemente a idosa apresenta condições físicas de se locomover sem a ajuda de terceiros, porém fica claro que seu estado cognitivo apresenta déficits que a impedem de levar uma vida totalmente independente, pelo menos fora de casa.
Os funcionários do prédio aos quais ela recorreu atenderam-na de forma gentil, demostrando-se pacientes frente às suas reações e repetições, porém, sabemos que nem sempre todos possuem este perfil. Provavelmente a mesma não tirará muito proveito de sua consulta médica, pois desacompanhada pode se esquecer do motivo da consulta e posteriormente não se lembrar das orientações médicas.
As questões que ficam são as seguintes: será que esta idosa não tem família? Caso possua, por que ninguém a acompanha? Será que eles imaginam que ela corre sérios riscos saindo de casa sozinha? Será que eles já perceberam seus esquecimentos, suas confusões mentais e sua excessiva irritação?
É muito importante que os familiares dos idosos analisem se os mesmos têm condições de sair de casa sozinhos. É importante que idosos ativos e independentes realizem suas atividades sozinhos sempre que desejem, porém, quando os mesmos apresentam sinais de demência, não é seguro que os mesmos saiam sozinhos. Fica a dica!
0 comentários:
Postar um comentário